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Col·lectiu Ronda (Barcelona)

Notas da apresentação da Cooperativa RONDA (Barcelona), pelo Joan Lluis, ao grupo de portugueses que participaram na IV Feira de Economia Solidária da Catalunha (26 out 2015)

Em 1972, os advogados eram movidos por um propósito: defender os trabalhadores da repressão franquista, na área dos direitos políticos e do trabalho. Eram anti-cooperativas. Os mais jovens acabavam de formar o cooperativismo como via de transformação… No entanto, a sua perspectiva de organização já era uma cooperativa, mas a lei espanhola não permitia que os advogados se organizassem em cooperativas. Então, cada elemento da direção informal assumia uma responsabilidade: um assumia a componente da Segurança Social de todo o coletivo, outro era o tesoureiro e detinha a conta bancária que o coletivo usava; outro assegurava os impostos. Como esta situação começava a estrangular o trabalho e a provocar dificuldades aos dirigentes/responsáveis, em 1978, aproveitaram um vazio institucional e conseguiram criar a Cooperativa. Assim, lendo o que acontecia no caminho, influenciaram a situação e foram influenciados por ela.

Reunião do grupo português na Coop. Coletivo Ronda
Reunião do grupo português na Coop. Coletivo Ronda

1978 – Nasceu a cooperativa RONDA (nome da rua em que ainda estão instalados), com uma proclamação ideológica – os 5 pontos de Bilbau, que seguiram até hoje: unidade de classe e independência política (autonomia); ser instrumento da luta dos trabalhadores (rectaguarda); democracia directa (assembleias de decisão colectiva); globalidade, i. é, transversalidade (não há divisão entre o político e o sindical, entre privado e público); e anticapitalista.

1979 – Aparecem dificuldades a nível das áreas do direito (ser titular da área sindical, ou área cooperativa, por ex., ou se devia haver um director a mandar…). Procuraram uma saída política, tendo definido os estatutos que apresentaram ao Colégio Laboral, que os aceitou.

Houve motivos externos: os trabalhadores eram amigos, queriam fazer cooperativas, e fazendo descobriram o cooperativismo … Criaram uma federação de cooperativas…

Dois valores foram decisivos na caminhada: a cooperação e a complementaridade (Por ex., um defeito de um, tapa-se pelo valor de um companheiro…. Quando o forte de um é falar em público, e um companheiro é muito bom em recursos jurídicos… então este preparava a defesa e o o primeiro ia a tribunal…Isto dá os melhores resultados e competência aos cooperadores…É uma mais-valia.

1996 – Nos conflitos pessoais entre colegas, há um valor que ultrapassa tudo: o amor, a amizade… Se isso falta, vem o fracasso da cooperativa.

Quando recebemos um grupo de trabalhadores de uma empresa falida, ou que o empresário pretende encerrar pelos mais diversos motivos, e os trabalhadores querem lutar pelo posto de trabalho, inclusivé colocando a possibilidade de assumirem o controle da empresa, em modelo de auto gestão, colocam-se-lhes as seguintes questões: 1ª pergunta – querem a empresa? E 2ª pergunta – têm estima e bom relacionamento entre vós, uns com os outros?

Estas perguntas colocam-se porque a experiência diz que a maior parte dos problemas que levam às dificuldades de gestão e ao insucesso de muito projetos, é a relação pessoal inter pares.

Há uma escala salarial de 1 a 2 e meio de diferença, entre os mais novos (normalmente, aceites ao fim de 3 anos…) e os mais antigos, entre advogados e trabalhadores/cooperadores da área do secretariado. O ordenado mensal vem do fundo comum. A decisão para a escala salarial é baseada na maior responsabilidade, no envolvimento com a cooperativa e nas responsabilidades/despesas familiares de cada cooperador.

O crescimento da cooperativa segue uma estratégia de dentro para fora, em vez de fora para dentro, porque não são motivados a crescer pela influência do mercado, da lei da procura.

Numa cooperativa de mais de 100 pessoas começaram a surgir dificuldades com a implementação de um modelo de democracia direta e participativa. Por esse motivo, as assembleias gerais começaram a ser difíceis… Era difícil falar, ter a palavra, era difícil a participação de todos.

Um dia, alguém lhes disse: vão mal por esse caminho (o plano quinquenal). Chamaram esse advogado, ele convenceu-os, completamente, a diluir o poder por todos…e criaram cinco grupos de trabalho (direito do trabalho, Segurança Social, direito bancário e hipotecário, economia solidária e direito geral), em que cada grupo decide, e na assembleia anual os grupos prestam contas, debatem os problemas. Foi uma mudança importante: diluir o poder de decisão, criando a figura de um coordenador que fazia a ponte e articulava entre todas as secções.

Agora, é o Jesus que se concebe como um elemento ao serviço do Conselho Reitor, um facilitador da equipa, que vai quando o convidam…numa lógica democrática.

Actualmente, são cerca de 100 cooperadores. Setenta são advogados (também há economistas e financeiros) e trinta constituem o secretariado.

Um trabalhador quando entra sabe que a organização é uma cooperativa onde se valoriza a sua participação como cooperador. O Coletivo dá-lhe um tempo de adaptação e de tomada de decisão. É um direito e um dever…porém, nem todos entram (saem por sua vontade, ou são convidados!).

A Cooperativa tem oito escritórios nas cidades limítrofes de Barcelona e em cidades do estado espanhol.

Todos os anos atendem cerca de 20 000 pessoas, muitas por uma simples consulta, sendo cerca de 13 000 novos clientes, que se convertem em amigos e parceiros em projetos de economia solidária.

Existe a modalidade de cooperador/associado em que os cidadãos/famílias interessadas pagam uma quota anual (50 €) e têm direito a uma consulta. Há 12 000/15 000 cidadãos/famílias que pagam esta quota anual. Se é constituído processo, estes cooperadores/associados têm um desconto de 30% na facturação.

A Economia Solidária representa 10 % do volume total do negócio.

 

Avelino Pinto / Júlio Ricardo (29. Out. 2015)

Mais informação:

http://www.cronda.com/

https://www.facebook.com/CollectiuRonda

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